• Carol Lara

Travessia Hyères - Córsega (Calvi), explorando novos mares!

Baterias. Esse era nosso foco na semana passada. Precisávamos resolver logo essa questão, já que para fazer a travessia precisávamos ter certeza de que teríamos bateria suficiente para manter todos os equipamentos ligados. Acontece que a bateria da promoção tinha ligações diferentes das nossas – e a promoção se anulava com as peças que precisávamos comprar. Por isso, acabamos indo na UShip, e negociando em francês ganhei 10% de desconto nas baterias novas (e iguais as nossas) só que com um pouco mais de capacidade.

Aproveitamos o momento na cidade e fomos ao supermercado nos abastecer de alguns itens que queríamos para a travessia. Fizemos um caminho superbacana, numa ciclovia recém-inaugurada e moderna, passando por toda a parte interna de Hyères que ainda não tínhamos conhecido. Enchemos as bicicletas, e no caminho de volta, eis que fura o pneu da minha bicicleta – de novo! O Fê assumiu essa pelo time, e foi empurrando a bicicleta, enquanto eu corria de volta para a UShip para buscar as baterias. Para quem nunca tentou carregar uma bateria, queria contar que elas são pesadas. E eu ainda tinha a minha mochila, cheia de compras, e a bicicleta – cujos cadeados estavam na mochila do Fernando. Pedi para a atendente da loja cuidar da minha bicicleta e atravessei o porto todo para buscar um carrinho no outro lado. Desatravessei, fiz um belíssimo carrinho contendo baterias, bicicleta, mochila, e voltei para o ponto onde nosso bote estava parado, não sem antes me dar de presente uma coca-zero geladinha. Quando cheguei no bote o Fernando já tinha chegado, e fizemos todo o embarque das baterias (e compras no Dinghy) e chegamos no barco já prontos para fazer a instalação.

Baterias instaladas, barco abastecido – mas tudo isso acabou tomando muito mais tempo do que gostaríamos – e assim, nossa saída para a ilha de Port Cross foi adiada para o dia seguinte, depois de irmos abastecer o barco na marina.

Acordamos na 5ª feira sentindo já a empolgação: finalmente sairíamos de Hyères. Apesar da cidade ter sido bastante generosa com a gente, ficar tanto tempo neste lugar não estava nos planos. Sendo assim, paramos no porto, abastecemos de diesel e gasolina para o botinho, água para o garotão, e fui resolver alguns dos outros perrengues que tínhamos: resgatar as bicicletas, descartar as baterias, lixo e, encher o tanque de água.

Foi longo, em plena hora do almoço com o sol escaldante de verão nas cabeças, mas, conseguimos executar tudo na mais perfeita ordem – e inclusive fazer boas manobras tanto para parar no posto quanto para nos encaixar nas vagas apertadas do porto.

Depois disso, chamamos nossos amigos do Eagle no rádio e fomos para a ilha, de onde partiríamos no dia seguinte para a nossa travessia.

A ancoragem era muito bonita, gostosa, mas tinha diversos barcos. E fomos planejar o dia da travessia com a turma toda. Vamos hoje? Vamos amanhã? Acabamos resolvendo deixar para a sexta, 11 da manhã, tudo isso comendo uma receita local de espinafre batatas e bacon dos nossos amigos suecos. Eis que dada hora surge um dinghy no lado de um francês mau-humorado, que resolveu dizer que ali não podia fazer barulho – ainda olhou para todos nós e disse – talvez porque vocês sejam suecos não conhecem as regras aqui. Tantos erros numa frase só né? Primeiro porque a francesada ao redor estava fazendo uma baita algazarra – e a gente, discutindo luzes de navegação. Segundo, porque adoramos ser chamados de suecos (tão vendo nossa carinha sueca?), mas novamente eles deram aquela sensação de que aqui na França, só francês pode fazer as coisas, seja lavar equipamento no chuveiro de praia, ou conversar depois do jantar numa ancoragem, dentro do seu próprio barco. Mas, como nossos amigos são sim suecos e educados, pedimos desculpas e fomos de volta pro Saba.

Na 5ª feira então aproveitamos para curtir o local – teve snorkel nas redondezas e eu preparei uma rodada de sushi para nós. Gostaria de dizer que foi a minha primeira vez fazendo comida japonesa, e achei até que mandei bem! Pelo menos melhor que de supermercado ficou! Curtimos bastante, descansamos e nos preparamos para a tão sonhada travessia.

Na 6ª feira, preciso confessar: acordei muito ansiosa! Queria logo fazer a travessia. Mas o Fê tava na calma padrão dele, dizendo: se a gente sair antes vamos chegar e estará escuro, tenha calma. Quando eram 10h30, vimos os amigos levantando âncora e finalizamos a preparação do barco. Partimos, rumo certo e vento bom, e quando o sol estava se pondo os meninos estavam quilômetros na nossa frente, conseguíamos ver uma nesguinha de vela antes do sol cair. A travessia foi uma delícia em todos os aspectos – bons ventos, tudo num bordo só, golfinhos vistos ao longe, e também no aspecto gastronômico: como a navegação estava tranquila e sem muita adernada, dei conta de preparar um gnocchi basilico, e de jantar tivemos hot-dogs com cebola crocante direto da Ikea – depois do qual dormi para aguentar meu turno de noite. Também comecei a ler um livro do Dan Brown, escolhido a dedo para não deixar a gente dormir, que fez companhia nos horários solitários. Descansei gostoso, na cabine, e quando acordei o Fê foi para o turno dele. Foram 4 horas de navegação solitária, no escuro, acompanhando os barcos no AIS e comparando com as luzes de navegação, e ajustando as velas e corrigindo o rumo que estava um pouquinho errado. Quando o Fê acordou, tinha botado a gente no rumo certo, já estava vendo o farol de Calvi – e os primeiros sinais da manhã já estavam por ali.

Depois de um sanduíche na baguette delicioso, o sol raiava, a alegria de terra a vista dominava e não conseguíamos acreditar na travessia tranquila que fizemos. Sabe realização? Acho que é mesmo isso aqui. Algumas horas depois, os amigos chegaram, tendo feito uma opção por privilegiar o vento ao invés do rumo, e tendo que fazer alguns bordos para chegar. Ponto pro time Saba e a persistência no rumo!

Calvi é uma cidade fortificada, que no passado era genovesa. Por isso, os nomes das ruas são num italiano arcaico, e aqui nasceu o ilustre Cristóvão Colombo (que era italiano, mas navegava pela Espanha). Por enquanto, só vi a cidade por fora, já que depois da travessia eu quis mesmo era dormir. A gente até ia para a cidade, mas quando acordamos do cochilo as ondas tinham crescido e achamos melhor deixar para o dia seguinte botar o Dinghy na água. E aí, nosso grande balde de água fria: A Sandra e o Per decidiram ir para a Itália encontrar a família dele que passa férias em San Vicenzo, e portanto, iriam fazer uma segunda travessia – nos deixando – e agora, torcemos para reencontrá-los num futuro próximo. O strogonoff solitário do jantar teve um gostinho meio triste, confessamos, e a noite foi super movimentada – as ondas entravam enormes e a gente dormiu muito, muito mal.

No dia seguinte de manhã, decidimos que iríamos mudar de ancoragem: em Calvi, com tais ondas e vento, não ficaríamos. Fui com o Saba até bem perto do porto, onde o Fê foi de Dinghy buscar pão e outras coisinhas para o nosso café. Assim que ele voltou, rumamos para Portu Vecchiu, uma ancoragem escondida e protegida dos ventos, com muros de pedra altíssimos e a água mais transparente que já vi. Aqui, os peixes não têm medo, e tem muitos, muitos peixes - e demos a sorte de ter essa ancoragem tão linda e disputada só para nós, sem vento, sem ondas, na mais perfeita paz. Assim, tive tempo de fazer o feijão para o almoço – desde que saímos de PSL não comíamos – e curtir a ancoragem linda de morrer. Hoje é dia da queda da Bastilha aqui, e, portanto, imagino que as coisas estejam semi-abertas. Mas queremos voltar para Calvi, já que o tempo está melhor, e comprar algumas coisas, passear, ver a cidade que dizem que é belíssima, além de recuperar os correios que chegaram para nós. Assim que conseguirmos botar as mãos nas nossas peças, vamos rumar para o sul da Córsega, onde lugares ainda mais lindos e surpreendentes nos esperam, mas com calma e desfrutando cada minuto dessa aventura. Bons ventos e boa semana para todos!



Nosso Saba de velas abertas rumo à Córsega! Que velas cheias, hein Capitão?


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