• Carol Lara

Tchibum: O Saba foi para a água!

A semana começou com cara de verão: Um sol de rachar o coco, e tínhamos ainda algumas coisas para concluir da semana passada – até 6ª feira, quando o barco estava agendado para ir para a água. Começamos a semana dando uma boa lavada no bimini e tirando as placas solares antigas, fazendo testes na rede elétrica do barco – para ter certeza que tudo estava ligado nos conformes, e que a fiação tinha bitola suficiente para aguentar as nossas placas. Uma vez tudo testado, fomos fazer as costuras das novas placas no nosso bimini, que ficaram excelentes e super reforçadas. Foi um trabalho muito mais demorado do que pensamos inicialmente, mas, tudo bem – afinal, trabalhos no barco pedem mesmo um capricho extra já que tudo está a mercê do tempo, do clima, do vento, e do implacável sal do mar.

A feira da cidade voltou a acontecer – ainda meio tímida, já que só as barracas de alimento podem abrir – nada daquela bugigangarada que a gente adora, principalmente o Bombril original (quase original). Mas, já deu prá ver que as frutas mudaram bastante: apareceram melancias, cerejas, pêssegos, morangos e outras delícias. Ahhh o verão! Aproveitamos para nos aventurar numa deliciosa paella pronta, gigantesca, que vende ali na feira. Garanto que valeu muuuito a pena. Continuamos então a preparar o barco para a descida, e a ansiedade entalada na garganta – como bem contados pelo Fernando, foram 88 dias em terra. Na 5ª feira, era feriado aqui na França (se vocês acham que no Brasil tem feriado, saibam que a França não fica muito atrás) limpamos tudo no barco, guardamos as coisas que estavam escondidas embaixo do barco (uma vela, e algumas outras tranqueiras), subimos o bote, enchemos o tanque de água e hasteamos a bandeira francesa de cortesia – ficando prontinhos para a nossa tão esperada estreia! Na 6ª, acordei e fui no supermercado comprar algumas coisas para o nosso churrasco de inauguração – a cidade já está bem alegrinha e movimentada, com aquela cara de que a temporada vem aí, e que Covid nenhum vai segurar! Quando voltei, o Fê já tinha organizado as defensas e guardado a mangueira, e ficamos esperando nossa hora de descer. De cima do barco vi um envelope da DHL chegando e disse: É pra mim! É a nossa bandeira! Chegou bem na hora de ser hasteada no nosso barco pra ir com ele junto para a água! Também chegou um Cajon de viagem, um instrumento que comprei de presente pro Fernando, porque sei que ele andava com saudades das suas percussões. De repente, já vieram os meninos aqui da marina com o caminhão e nossa, foi tudo tão rápido. Eles demoram uns 5 minutos pra botar o barco na carreta, e uns 2 pra botar o barco na água. Como a temporada está começando, eles tem descido um barco atrás do outro, e o píer aqui que não é grande já está lotado. Vi meu garoto botar seu casco na água e boiar graciosamente! Ahhh, que sensação boa! Depois disso, foi a hora de se preocupar com onde iríamos atracar o barco, já que tinha um Mistral fortíssimo previsto para o domingo, e como disse, sem vagas direto no píer. O Norbert, uma entidade aqui da marina, ajudou a gente a escolher nosso vizinho, uma barcaça de madeira que está aqui, e realmente, acho que foi uma excelente escolha. Deu até um pouco de privacidade já que o movimento aqui é incessante.

Barco amarrado, começou a festa! Todos passando aqui, comemorando, felizes com a gente, churrasco, muita cerveja e música boa. Sensacional. A festa foi até altas horas da noite, e com ajuda do balancinho do mar fizemos nossa primeira noite na água. Tinha até esquecido como é gostoso dormir assim.

No sábado fizemos algumas coisinhas, mas o pesado mesmo foi a limpeza pós festa. Nossa senhora! No final do dia, entrou o Mistral prometido – e vou contar, Mistral aqui não é brincadeira não. Rajadas de 38, tudo chacoalhava. Checamos defensas e amarras o tempo todo – mas ficou tudo bem! No domingo, a Kika, minha amiga querida e seu incrível marido francês temperado no Brasil, nos convidaram para um churrasco na casa dela, e foi uma farra, um digno churrasco brasileiro, com aquele exagero de comida que só um brasileiro sabe, tudo lindo, gostoso, e com amigos que tocavam violão (um deles especialista em música estilo cigano espanhol) com os quais o Fernando fez um grupo e tocou o dia todo - foi tão bom, que foto que é importante eu esqueci de tirar, vai vendo... Vale contar também do Pogo, o cachorro maravilindo deles, que foi enfeitiçado pelos métodos fernandescos de enfeitiçar cachorro: sorvete e carninha hahaha. Que delícia de dia, muito obrigada, Kika, sou muito grata por ter você como amiga:)Voltamos a pé da casa deles, já que ainda estamos sem banco em uma das bicicletas, mas eu lembrei dos meus tempos teenager e fui logo esticando o dedão pra pedir uma carona. Como é bom cidade pequena né? Em 5 minutos conseguimos a carona, que nos salvou excelentes 30 minutos de caminhada. Chegamos aqui, muito felizes com o resultado dessa semana – e também felizes de ver que o barco continuava certo no seu lugar, dá um desespero deixar barco e sair viu? Também trouxemos um chocalho que a Kika deu pro Fernando – aí fiquei eu, a mais sem ritmo da história, tentando tocar o raio do chocalho. Vou tentar aprender, juro! Terminamos o domingo felizes, cansados e realizados, e agora faremos os nossos planos de navegação. Queremos sair aqui perto um pouco pra testar tudo, e depois, simbora!

E assim, a semana mais legal de todas desde que chegamos acabou! Espero que daqui prá frente só melhore! Boa semana para todos!


Nosso garotão prestes a tocar a água!


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