• Carol Lara

Stintino, Olbia, Costa Smeralda - e o cheiro de Outono no ar

Continuamos nossa navegada, parando desta vez em Porto Puddu, uma ancoragem muito aconchegante, e muito abrigada. Ela entra no continente e ainda forma uma ilhota no meio, com diversas praiotinhas ao redor. Que bom que escolhemos esse destino, pois viemos junto com a nuvem de tempestade, ficando negra, e cinco minutos depois da nossa ancoragem, o céu desabou numa chuva grossa e forte, com trovões e raios, e rajadas fortes de vento. Já sabíamos da previsão, então estar num lugar abençoado desses foi muito bom – e a pancada de água foi embora logo. Acho que o lugar é tão bonito e tão calmo, que recebemos a visita noturna de um golfinho, que o Fernando conseguiu iluminar, logo na popa do nosso barco. Lindo de viver. No dia seguinte, ainda fugindo da chuva, ancoramos em Cala Liscia, uma das ancoragens mais lindinhas desse pedaço, pelo menos na minha opinião – diversas praiotinhas e um mar transparente, que faz frente ao de Stintino, muito lindo. E ah, lixeiras, nossa nova paixão – onde pudemos fazer o descarte do nosso lixo separadinho. Fomos rápido até a praia e a chuva caiu de novo, mais leve e sem raios nem vento dessa vez, e dormimos tranquilos nesse lugar.

Dito isso, fomos para Olbia no dia seguinte. O píer estava lotado e acabamos optando por ancorar ali, onde já estivemos tantas vezes. Fomos comer a pizza na “Pizza Retrô, desde 2018” que adoramos, agora nos sentindo um pouco especiais por poder mostrar nossas preferências para os amigos Suecos, já que conhecemos Olbia como a palma das nossas mãos. Ali no porto de Olbia, também estavam atracados um casal muito especial, Bel e Bob, donos do Bicho Vermelho. Eles são brasileiros, e moram no mar há 20 anos. Passamos no porto para dizer um oi antes da nossa pizza, e fomos convidados, brasileiros e suecos, para um happy hour no “Bicho” no dia seguinte. Acho que estávamos cansados de tanta viagem que no dia seguinte mudamos para o porto, mas quase não saímos do barco – fomos só no supermercado comprar umas delícias para o happy hour – que incluíram um queijo gorgonzola com camadas de mascarpone que amigos, é de morrer de gostoso. O happy hour foi até tarde e a quantidade de coisas que absorvemos do Bob e da Bel foi enorme. Eles são sensacionais. Aliás, eles que descobriram a marina onde passaremos o inverno, junto com o Beto e a Thaís do Shogun e talvez mais um par de brasileiros e quem sabe, os nossos amigos suecos que ainda estão em processo de decisão.

Esse ficar no barco também nos permitiu desenhar o nosso roteiro até o final de Outubro, quando queremos chegar na marina para invernar o barco e preparar tudo para nossa ida para o Brasil, que temos desejado bastante (ê saudade, que bate no meu coração). Nesse planejamento, percebemos que a Sicília seria muito corrida e muito longe, e preferimos focar em fazer o demais da Sardenha com cuidado e calma, e ainda reservar um tempo para fazermos a Costa Amalfitana e algumas cidades que sou louca para conhecer, tipo Pompéia. Sendo assim, vamos por mais alguns dias descer a costa oeste da Sardenha, até Arbatax, e de lá cruzar para Ponza. A travessia durará 160 milhas, que imaginamos fazer em umas 32-38h. Vai ser uma aventura – e como o verão está acabando por aqui, os ventos já estão mais amalucados, o clima está mudando, vamos esperar a janela ideal de vento e clima para fazer essa travessia. Aliás, essa sensação de fim está nos/me atingindo com tudo: estamos chateados que o verão está acabando, vendo os dias ficarem 4 minutos mais curtos, todos os dias, e a temperatura da água baixar lentamente. Por isso, me deu faniquito, e queria ir embora logo de Olbia. Fizemos um supermercado incrível com tudo que é gostoso nessa vida (e aqui na Itália quase tudo é muito gostoso) e na 2ª feira de manhã partimos de Olbia, felizes, começando a cumprir nosso roteiro. Nossa primeira parada foi Tavolara, onde fomos tantas vezes já, mas queríamos mostrar para o time do Eagle. Eu adoro essa ancoragem, e fora da temporada ela ficou ainda mais espetacular. A montanha quadrada no fundo, a água linda, e a praia de areia gostosa fazem dela um show. Com menos turistas e barcos de charter fica ainda melhor. Passeamos pela praia, curtimos o por do sol, e eu nadei. Prometi que agora vou nadar em todas as ancoragens até eu não conseguir mais entrar na água geladinha.

Dia seguinte, fomos para Capo Coda Cavallo, só três milhas de distância de Tavolara. Outra ancoragem belíssima, de águas mais claras ainda, e com uma vista da Tavolara que é demais. Mergulhamos para ver a âncora e eu achei uma máscara de mergulho em 10 metros de profundidade – sendo que eu não mergulho, estava na superfície. Que visibilidade! Uma ancoragem muito boa e calma, dormimos bem, quase sozinhos nesse paraíso. No dia seguinte, aproveitamos para ir na praia, fazer umas pequenas trilhas, tomar um sol logo cedo. Os nossos amigos estão planejando e pesquisando onde vão invernar o barco deles, então perderam essa delícia de praia para o trabalho de escritório – acontece!

Depois do almoço, um couscuz de frango e vegetais de tirar o chapéu, fomos para a nossa próxima ancoragem, também muito próxima, Cala Brandinchi, onde estamos agora. Ainda não fomos explorar as praias, mas daqui assistimos o jogo de futebol do Fê, descansamos e conversamos sobre o presente, sobre o inverno e sobre futuro, mas também sobre o fim dessa nossa viagem (eu lido muito mal com finais, não gosto deles, mesmo se for o final de um livro ótimo, preferia que não tivesse fim – enrolei 3 anos para assistir a temporada final de Friends, porque eu não queria que acabasse). De qualquer forma, estou comprometida com aproveitar muito cada um dos 45 dias que nos restam em água, curtindo as paisagens, as cidades, o mar, e principalmente, curtindo a gente, que é o que a gente fez melhor nesse ano de pura lua de mel. Bons ventos a todos!



O por do sol em Tavolara, coisa linda <3

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