• Carol Lara

Preparações finais para a partida, despedidas e emoções

Depois de um final de semana gostoso, sentindo o cheiro do que nos espera, a vontade de sair velejando foi aumentando exponencialmente – e com isso começamos mais seriamente a programar a saída. Começamos batizando nosso barco e pedindo proteção a Netuno e ao Deuses do vento. Foi delicioso e os padrinhos Sandra e Per estavam aqui! No dia seguinte, fizemos um almoço (um brie envolto em massa folhada com amêndoas e mel que eu preparei aqui no barco) e uma salada deliciosa feita pela Sandra, alimentaram os integrantes da nossa flotilha enquanto pesquisávamos nos nossos pilot books, aplicativos, cartas náuticas e previsões do tempo as ancoragens que faremos até a Córsega. Fizemos um primeiro desenho disso, e então, o trabalho ficou mais pesado aqui no barco. O Fernando focou no watermaker, terminou toda a parte elétrica e caçou os vazamentos, enquanto eu fui botando ordem nas coisas que precisavam estar em dia para a saída. Na última etapa do watermaker, tivemos problemas com um selo (um brine seal) que nada mais é que uma borrachinha que veda a célula dentro da cápsula de cerâmica. O selo entalou legal, e para desentalar acabamos estragando ele – e uma nova saga – em busca de um novo selo se iniciou. Também resolvi a questão da internet, achei uma promoção maravilhosa de 100GB por 12 euros, e encomendamos o chip.

As entregas que faltavam chegaram todas: as peças da bike que estavam faltando, principalmente. Com isso, na 4ª feira, consegui ir no Netto fazer o abastecimento semi-final, além de dois galões para 10L de água. Na volta, meu exagero taurino e a fragilidade da cesta de roupas que eu uso como cesta de bicicleta, fez com que a cesta da bicicleta quebrasse, espalhando coisas pela ciclovia, e como a sacola era pesada pra caramba seria praticamente impossível voltar carregando a sacola e empurrando a bicicleta. Fui resgatada pelo Ben, que estava na feira, mas antes dele chegar ainda recebi 2 ofertas de ajuda. Ahh, cidade pequena é muito bom. Prometo me lembrar disso pela vida.

Na 5ª feira, o barco do Ben voltou para a água, mas estávamos tão envolvidos com o projeto que até perdemos o momento. No auge da canseira, o Norbert nos convidou para jantar num restaurante do outro lado do Rhone, Les Bois Flottés. Fica de frente para as salinas, Salin de Giraud, e o restaurante era muito bonito e bacana. Fomos todos os 6, Norbert, seu amigo “O Rei de Ibiza”, Danny, e oVince Lef! Nossa, ainda bem que vencemos a canseira. Foi muito gostoso sair do barco, passear, comer comida que não fui eu que fiz – e a propósito, comi um delicioso bife a milanesa de vitela que estava sensacional! Foi uma noite regada a muito vinho da casa, risadas, histórias, delicioso!

Acordamos na 6ª feira ainda com bastante coisa pra fazer, e nada do meu chip chegar. O da Sandra, que comprou no mesmo dia que eu, chegou! E ah, caí nos sistemas automáticos online da França que são terríveis. Em resumo, teria que ir a uma loja para comprar um novo chip e habilitar meu plano. Bom, dito isso, tínhamos sido convidados pela Kika e Jerome para irmos a uma exposição numa pedreira enorme, onde eles fazem projeções de artistas conhecidos. As 4 da tarde partimos daqui, e fomos para Baux de Provence, onde fica essa exposição. Que coisa mais magnífica, não tenho nem palavras para descrever! A pedreira é enorme, escavada nas montanhas, e você anda por túneis de pé direito altíssimo, com projeções no teto, nas paredes e no piso, acompanhadas de música. Como se não bastasse, os artistas dessa temporada são Salvador Dali e Gaudi, o que fez da experiência incrível algo ainda mais psicodélico. Para quem estiver na Provence em breve, recomendo muito o passeio. Finda a exposição, fomos passear na charmosíssima cidade medieval, que tem igrejas, castelos e ruelas, coisa de louco. Linda de morrer! Compramos um nougat na rua, que nossa, que delícia. Depois disso, passamos na pizza da cidade, e viemos todos, inclusive o filho gracinha do Jerome, o Lucas, para o barco, tocar violão e comer pizza. Foi um dia para guardar na memória para sempre! Que coisa mais linda! Novamente, muito obrigada Kika, por sua amizade.

Sábado cedo a Kika me ofereceu uma carona para irmos comprar o chip do celular, e acabamos indo ao Géant Casino que tem por aqui. A sogra dela foi conosco, e acho que meu francês ajudou na conexão. Foi um passeio gostoso, com paradas em diversas lojinhas, inclusive em uma que lembra uma loja de 1,99 mas com diversas coisas legais e baratíssimas, chamada Action (Aciôn, para os franceses). Lá eu fiz a festa: enforca gatos, cesto para roupas, cabinhos de diversas espessuras e uma raquete mata-mosquitos de presente para o Ben. Enquanto isso tudo acontecia, o Fê foi até Port Napoleon buscar nossa balsa salva vidas. O barco já começava a ganhar cara de partida, afinal.

No domingo, acordamos cedo e fomos encarar a lavagem final do barco pois queríamos partir na 2ª feira. Queria dizer que ainda que pareça tarefa fácil, lavar 47 pés de barco é trabalho pro dia inteiro. Por isso, não conseguimos ir ao churrasco de dia das mães que a Kika tinha feito para os sogros. Terminamos a tarefa perto das 6 da tarde – e instalamos as linhas da vida no barco. Mas, mesmo assim, fomos até a Kika para nos despedir, e acabamos sendo agraciados por um jantar delicioso, com direito a salada de tomate e manjericão, quinoa, uma costelinha de porco de lamber os dedos, e por fim, um super profiterolle com direito a chantilly e calda quente. O papo sempre generoso dela e do Jerome, fez do abraço final de despedida ainda mais difícil. Ainda que nossa intenção original fosse sair de Port Saint Louis du Rhone o quanto antes, ter ficado aqui todo esse tempo fez dessa cidade um marco nas nossas vidas, principalmente pelas pessoas que conhecemos aqui, e para sempre terei carinho por esse lugar.

A segunda começou com a lavada final das roupas e uma ida ao Intermarché para comprar verduras e minha querida Look Cola (é inviável comprar coca-cola aqui, custa uma pequena fortuna). O nosso vizinho Bruno (que estaciona sua lancha aqui atrás de nós) nos deu uma revista incrível com os principais portos da França (merci, Bruno!) , e assim, fomos nos despedir de todos os personagens importantes que conhecemos aqui. O Pierre


e a Verô sua esposa, o querido e generoso Philippe, o Robert... e percebemos que o Per e a Sandra ainda estavam longe de ficarem prontos e estavam se descabelando hahah. Por isso, acabamos adiando para hoje, 3ª feira, nossa partida. Vale dizer que os ventos aqui nessa região são fortes, então achar uma janela onde todos fiquem confortáveis é sempre um desafio a mais. Mas, tenho fé que hoje sairemos – começando finalmente nossa aventura pelo mediterrâneo. Nossa primeira parada será em Carro (ou Carros) e daí, vamos bordeando e nos protegendo dos ventos, até encontrarmos a condição perfeita para cruzarmos para a Córsega! Que assim seja! Uma semana linda para vocês, e bons ventos!


Nosso garoto, limpinho, lindo, pronto prá sair!

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