• Carol Lara

Porto, Cargèse, Ajaccio, Sanguinaries - E que venha o nosso charter!

Segunda feira fomos para Porto, como previsto. É uma cidade super pequenina enfiada no meio das montanhas, de uma visão pitoresca que só. Nosso Pilot Book da França recomendava ancorar por lá só com tempo muito bom, e como tínhamos essa condição, resolvemos ficar por lá. Depois de um passeio super gostoso pela cidade, com direito a sorvete e tudo, voltamos para o barco.

Na 3ª feira cedo, antes de partirmos, resolvemos voar nosso drone por esse lugar espetacular. Ele já andava meio mal das pernas, depois de ter filmado e fotografado praticamente todas as viagens que fizemos, mas esse último vôo foi fatal: Ao decolar, bateu nas linhas de vida do barco, se esforçou para sair dele, e caiu no mar, afundando e sendo resgatado pelo Fernando. Demos vários banhos de água doce nele, mas infelizmente, nada fez. Perdemos nosso drone de vez, e passamos o dia bastante tristes – o euro está impossível, o drone custa caro, e a gente não vai repor ele enquanto os charters não estiverem rolando soltos. De qualquer forma, tristes ou não, decidimos ir com o barcão para Capo Rosso, uma região cheia de cavernas e passagens, que formam lagos escondidos no meio da praia. É um pouco cheio, mas o passeio foi delicioso. Depois de almoçarmos ancorados ali, seguimos para a região de Cargèse. A ancoragem que escolhemos lá prometia: dizia ser uma praia de azul digno do Caribe, e se chamava Baie de Menasina. Gostaria de contar que essa ancoragem entregou – muito linda, água absolutamente azul e transparente, e novamente, mar muito calmo – o que embalou nossa noite nesse paraíso. Usando a água daqui rodamos nosso watermaker pela primeira vez, e ele fez a primeira água doce da vida dele. Queria contar que eu acho mágico: pegar água do mar e sair uma água docinha docinha, limpa e clara – perfeita para tomar banho – bem melhor do que a água daqui, que é cheia de calcário! Fomos na praia, que era quase perfeita – era de areia, mas o trecho de entrada/saída era de pedras, e claro que eu dei aquela escorregada nas pedras né? Curtimos, vendo o dia passar, e as férias acontecendo.

Na quinta feira, acordamos e fomos de Dinghy até Cargèse. Acho que de todas as cidades que fomos até agora essa era a menos impressionante ou charmosa – e ficava muito no alto do morro. De qualquer forma, duas igrejas, uma Grega Ortodoxa e uma Católica Romana, se olham, lá no topo das montanhas, e são a principal atração da cidade.

Aproveitamos para comprar a nossa já habitual baguette e nos presenteamos com um maxi suspiro, que voltamos comendo no caminho.

Assim que voltamos, saímos rumo a Ajaccio. Os ventos fracos, fraquíssimos da semana fizeram a gente velejar muito pouco, e assim que chegamos tomamos um susto: que baita cidade grande! Prédios! Navios enormes! Bombeiros! Crianças gritando! Trem! Hahaha, acho que estamos ficando meio caipiras. A ancoragem não tinha nada de bonita, mas tinha tudo de conveniente: supermercados próximos, duas marinas, e a cidade que é bem charmosinha. Também era bem cheia, e toda vez que chegava um barco novo dava aquela sensação: ou ele vai se enfiar em algum espaço muito pequeno, ou vai jogar a âncora em cima da nossa! Graças a Deus, nada disso aconteceu! Descobrimos um fato, que temos apelidado de “maldição do dinghy”, que acontece toda vez que queremos baixar o motor: venta. Venta mais. Independente se a previsão do tempo diz que não vai ter vento – bastou planejar botar o motor no Happy Hour e entra o vento, forma onda – e o passeio se dissolve. Por isso, acabamos ficando no barco na 6ª toda.

No sábado, no entanto, acordamos e fomos rapidinho para a cidade. A saga das peças acabou: chegaram tanto as peças da nossa privada elétrica quanto o impeller novo do nosso gerador – e depois de uma passeada pela cidade – que por sinal é a cidade natal de Napoleão Bonaparte, apesar dele ter saído de Ajaccio criança e nunca mais ter voltado, a cidade se gaba de sua cria mais famosa e nomeia tudo em seu nome – fácil de se perder entre tantas ruelas, avenidas, bares, e afins chamados, adivinha – Napoleon! Aproveitamos para comprar o almoço - um delicioso frango assado (já estávamos com saudades) e viemos para o barco instalar nossos novos brinquedos. Enquanto o Fernando fazia a pior parte (o banheiro, claro) eu fiquei com a limpeza da casa, digo, barco. Aspirei tudinho, cada canto, limpei fogão, micro-ondas e pia, reorganizei o freezer e a geladeira, passei lustra móveis na mesa, limpa-vidros nos espelhos – e ainda me regozijei passando aspirador lá fora no cockpit. Que luxo esse gerador! Acho que é o acessório do barco que eu mais curto. Vale dizer que o nosso aspirador não é qualquer um não: é desses bons, domésticos, Hoover, e é forte pacas. Também adoro aspiradores – o que me lembra da história de uma amiga, que tendo ganhado um aspirador de presente do namorado, quase terminou a relação. Pois aqui é diferente, mandem os aspiradores e ferramentas que tá tudo bem – eu vou amar!

Domingo cedo fomos ao Carrefour – não tão cedo – o que fez com que fôssemos perseguidos pelas funcionárias enquanto corria pela loja no melhor estilo “Supermercado” (quem lembra desse programa de TV?) pegando as coisas que faltavam nos 5 minutos antes do super fechar as 13h00. Até que conseguimos pegar tudo!

Voltamos para o barco e decidimos que era hora de sair de Ajaccio: nada contra a cidade, mas a vontade das águas claras e dos horizontes bonitos era maior, e assim rumamos para as Ilhas Sanguinárias, que ficam pertinho de onde estávamos. As ilhas são lindas, tem um farol bem no topo, inúmeros pássaros, e uma água linda de morrer. Finalmente um merecido tchibum, e uma noite novamente muito tranquila.

Na 2ª feira, decidimos fazer um passeio até o forte que tem aqui perto. Fomos de Dinghy e subimos lá no alto, para admirar toda a baía de Ajaccio, os veleiros ancorados e a água, que é sempre um show a parte. Além disso, começamos a nos preparar e comprar coisas que precisamos para receber o charter que fechamos em Olbia, no dia 10 de Agosto. Bastante tarefas burocráticas - além de reservar a marina para embarcar os passageiros, fazer as rotas possíveis com o tempo que eles tem, planejar cardápios e outras questões importantes. A gente queria descer a Córsega com mais calma, mas como o charter será na Sardenha vamos ter que passar um pouco mais rápido do que gostaríamos, inclusive por Bonifácio. Mas, já combinamos, que findo o charter, a gente vai voltar para curtir esse pedaço que queremos tanto conhecer. Hoje, vamos sair, rumo a Propriano, e já vi que tem praias lindas e de cair o queixo por lá! Tomara que dê tudo certo e o dia termine do jeitinho que a gente gosta: águas claras, âncora na areia, e por do sol de fazer inveja em qualquer um! Bons ventos!



Ilhas Sanguinárias, vistas do topo do forte Genovês!

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