• Carol Lara

Ponza a Ischia, Ischia a Napoli e a incrível Pompeii

E em Ponza, entre trocas mil de ancoragem junto com os nossos vizinhos, fomos a praia, no que ainda não sabíamos, seria a última praia desse ano. Aproveitamos o solzinho gostoso e andamos na bela Frontone, que durante o verão é animada com beach clubs e afins, mas no nosso restinho de verão tinha poucas pessoas e uma família com uma cabra de estimação. Também passeamos pela cidadinha, fofa e colorida, já dando ares de deserto – antes de partirmos para Ischia.

Em Ischia o plano era abrigar: abrigar dos ventos fortes que iam soprar – e que segurariam a gente por uma dupla de dias por ali. Nossa ancoragem não podia ser mais linda: aos pés do castelo. Como vizinhos tivemos apenas um veleiro, o que nos deixou com muito espaço para lançar nossa âncora e dormir tranquilos mesmo com a ventania. Depois de passarem nossos ventos complicados, e o friozinho começar a apertar – casacos e blusas de manga comprida voltaram a fazer parte do guarda-roupa como que num passe de mágica – rumamos para Napoli. Napoli foi um sonho que se construiu ao longo dessa viagem, pois tínhamos ouvido falar que era fácil chegar a Pompeii de lá, e também queríamos nos dar ao luxo de ancorar em uma cidade grande. E assim foi. Chegamos em Napoli e paramos logo abaixo do Castel d’Uovo, vendo a cidade inteira ali, na nossa proa. Coisa mais linda. This is some text Napoli é caótica. Caótica e Italiana, quase como se as duas palavras fossem a mesma coisa. O trânsito é uma loucura: em ruas muito estreitas passam carros e motos nos dois sentidos, fazendo desvios malucos, subindo em calçadas – mas um caos organizado. Para chegar lá, deixamos nosso dinghy na marina, no meio de um monte de barcos de pescador, sendo vigiado por um senhor. Confessamos o frio na barriga, mas deu tudo certo. Fizemos um giro, como dizem por aqui, conhecendo a cidade, subindo nos castelos, andando de Funiculare, e claro, comendo uma belíssima pizza – deliciosa, tirando o braço para dentro da varanda do restaurante para evitar ser atingido por um retrovisor de vespa. Voltamos já tarde e o dinghy estava lá, e o Saba também, assim nos sentimos bem mais confiantes para fazermos o passeio até Pompeii. Vale dizer que a princípio tínhamos cogitado alugar uma vespa para fazer o passeio – mas eu amarelei – principalmente depois de ver o caos que é dirigir em Napoli.

No dia seguinte, acordamos cedo e pegamos o metrô até a estação Garibaldi, onde pegamos um trem até Pompeii. Foi baratinho e divertido, e a vista era muito bonita durante This is some texttodo o trajeto, com o Vesuvio ali atrás. Achamos que podia estar cheio, já que era sábado. Mas não – estava bem fácil de circular na cidade, e a gente se esbaldou nas ruínas. Já contei em outro post sobre o quanto nos impressionou a cidade estar conservada, inteira, transpirando história – depois de tanta tragédia. O dia foi longo – e pegamos o trem correndo de volta – além de passarmos no supermercado para nos abastecermos: o tempo ameaçava virar no dia seguinte, e a gente não sabia exatamente quantos dias teríamos que nos abrigar para então atravessar para Roma. Compramos deliciosidades de todos os tipos, e foi bom ver como os preços na Itália continental são melhores que os da Sardenha. Nos despedimos de Napoli com mais uma pizza e algumas cervejas, e um carinho pela grande cidade que o Saba tinha desbravado com a gente. Dinghy a postos, chegamos exaustos, com dor no pé e na batata da perna, mas muito, muito felizes. Dever/Prazer cumprido que chama, né?

Pois, dia seguinte as ondas formavam grandes em Napoli. Parece que São Pedro e Netuno tinham mesmo se organizado para deixar a gente visitar o que queria, mas não abusar da sorte. Por isso, saímos da grande lavanderia que estava se tornando nossa ancoragem, e fomos procurar alguma melhor. Passamos por Procida, mas não achamos que estava bom. Por isso, voltamos para Ischia, dessa vez do outro lado do castelo. Em teoria não se pode ancorar lá, mas como é baixa temporada resolvemos arriscar. Eu estava preparando a âncora quando a guarda costeira chegou. Já preparamos para ouvir um “aqui não” mas o guarda só pediu que aguardássemos, estava rolando uma competição de natação (embaixo de chuva e frio) e quando acabasse podíamos ancorar ali. Nos divertimos com a competição enquanto almoçamos um delicioso Vienese (aparentemente não chama milanesa por aqui...) com risoto al limone, e ancoramos suaves no outro lado do castelo. Lindo demais.

As janelas de tempo bom ficam escassas – e depois de bastante pesquisa decidimos que o dia seguinte seria o dia de irmos direto para Roma. Mais 20 horas direto no leme, já que o piloto segue quebrado, mas a forma mais segura, ainda que com um pouco de onda e vento contra – que a gente detesta, mas vive tendo que enfrentar. E assim foi. Fizemos happy hour como de costume, mas com o frio, ao invés das duas cervejas tomamos uma taça de vinho. O jantar, o já costumeiro gnocchi de travessia, dessa vez um bolognesa completo que fiz passo a passo – nada de molho pronto – mostrando que minhas habilidades de chef a bordo só evoluíram até aqui – nada mais me atrapalha. Depois do jantar fiquei com o Fernando até 11h30 da noite, quando depois de um banho revigorante de água quente fui dormir. Tinha bastante onda, então o sono não foi dos melhores. Mas as 4h30 eu acordei para tentar liberar o Fê do turno dele. Mas tava frio, frio demais. 12C, com vento, úmido, horrível – e ele me poupou até o sol aparecer – mas fiquei ali fazendo companhia e assistindo o filme sensacional do Fred Mercury. Quando meu turno começou, o sol estava lá mas não fazia efeito nenhum. A boa coisa é que o mar acalmou e chegamos em Fiumicino quase sem ondas. A entrada no rio foi sossegada, e atracamos com suavidade. O alívio do fim da viagem, e o fato de sabermos que grandes mares só no ano que vem, embalaram nosso sono da tarde – e só acordamos para jantar e dormir outra vez. Nossos amigos brasileiros estão numa marina mais a frente, e em breve vamos todos mudar para nossa marina definitiva, assim que a ponte elevadiça que nos separa dela for consertada. Vamos ter bastante trabalho de invernagem e consertos no barco até lá, e eu também preciso cuidar de alguns documentos. Mas, vamos curtir muito esse mês na cidade mais icônica da Itália, tenham certeza. Estamos muito contentes e satisfeitos com o sucesso que foi essa temporada, não só como viagem, mas como relacionamento. Morar num barco e conviver 24h, 7 dias por semana, é de fato uma prova de amor, de carinho, de afeto e de querer estar juntos. Por isso sabemos que ano que vem estaremos aqui, para a próxima temporada: afinal, 2020 vai contar como o treinamento mais legal que já fizemos. Bons ventos!



Castelo de Ischia, nossa ancoragem segura

4 visualizações
  • Instagram
  • Facebook

Sailing Saba - Charters, Turismo, Férias a bordo de um veleiro na Europa - Croácia e Sardenha