• Carol Lara

Novas pessoas, novas energias

Seguimos no atual normal de vida, trabalhando no barco, programando as coisas que queremos fazer, indo ao supermercado (e aproveitando cada uma das nossas idas) e agora, conversando um pouco mais com as pessoas daqui.

Desde que chegamos, uma moça bem simpática vem acompanhando nosso trabalho no barco. Todos os dias quando passa, arruma um elogio para fazer e, dada a melhora do clima ainda comenta “podíamos estar velejando” num inglês perfeito. Ela tem dois labradores pretos que são uma farra – e como tanto eu quanto o Fernando adoramos cachorros, essa é também uma boa oportunidade de dar uma esfregada daquelas nos dois.

Nessas conversas, descobrimos que ela já conhece uma turma enorme aqui da marina. Acho que a Michelle tem tudo para ser a nossa prefeita do coração por aqui. Fato é que dividimos todos o mesmo banheiro, a mesma lavanderia, as mesmas ruas, as mesmas latas de lixo, e o mesmo ar que respiramos todos os dias – assim como a esperança de em breve poder levantar as velas e sair por aí.

Com isso, um pouco de interação social apareceu nas nossas vidas e trouxe energias positivas vindas de seres humanos que não são virtuais.

Nessa onda, conhecemos muitas pessoas novas: os Australianos que eram nossa inspiração pelo trabalho incessante que faziam – uma família deliciosa e muito divertida, que vai da França à Australia num barco enorme (o Pasha) a motor. Benza Deus, quanta gasolina! Tem também os Suecos, Sandra e seu marido Pelé (ele não parece nada com o Pelé e nem sabe jogar futebol - mas gosta que o chamem assim) que são outros dois amorezinhos. E mais diversos franceses legais, mas que honestamente, eu só consegui aprender um nome, o do Robert, que decorei já que é a versão francesa do nome do meu avô. De qualquer forma, todo mundo muito interessantel e interessado na vida dos outros – coisa que só o fato de não poder socializar já exacerba, mas o assunto em comum também – todos aqui são apaixonados pelo mar, vivem em um barco e querem logo botar a proa no rumo e partir. Outra coisa bem bacana de notar é que não tem idade pra morar num barco. Já contei para vocês do Bernard, que tem 86 anos (catre-vingt-six). E nessa turma, poucos são os que tem menos de 40, a maior parte já passou e muito disso – e serve de inspiração e para nos lembrar de que temos muito, mas muito tempo pela frente, e que ser jovem é realmente uma coisa da cabeça, muito mais do que do corpo.

Ainda que as vezes a gente fique meio desanimado (natural, né?) e precisemos desabafar para não enlouquecer, é justo dizer que a esquentada no clima, os finais de dia lindos, as árvores que já ganharam folhas, os amigos que surgem por aqui, a possibilidade de usar chinelo, shorts e camiseta, e a esperança lá no final do túnel (o presidente francês Macron falará hoje sobre a extensão do confinamento, que deve ir até o dia 10/05 (sim, um dia antes do meu aniversário!)) chegam como vento bom na vela, e empurram nossos sonhos, nossa autoestima, nossa vontade de continuar. E assim, desejo para vocês o mesmo: vontade de continuar! Boa semana!

Nossas bikes com as cestas que usamos para trazer as compras do supermercado, e nosso privilegiado caminho até lá: beirando o Rhone!

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