• Carol Lara

Estar e Pertencer, é Primavera!

A semana passada foi uma semana de esperança. Os números do COVID na França e na Europa começam a dar sinais de melhora, ao mesmo tempo que o clima esquenta, os ventos diminuem, o sol se fortalece. Junto com essa esperança, também tenho sentido uma sensação muito gostosa, de pertencimento. É, eu nunca pensei que morar em uma cidadezinha pequena no sul da França fosse meu tipo de coisa, mas, aparentemente, é.

A cada dia que fico por aqui, me apaixono. Me apaixono pela vida calma e pacata, pelos sons e aromas, pela lógica do descanso cotidiano (aqui tem sesta depois do almoço, as coisas não abrem aos domingos) e pelas vistas que tenho o privilégio de observar. O Francês evolui bastante (uma pena que não tenha muito com quem conversar nesses tempos) e a leitura do Le Monde me inclui nos assuntos diários, e amplia meu vocabulário... quem diria que as aulas da Mme. Neusa Pomer seriam tão valiosas, tanto tempo depois!

Junto com isso, concluímos as melhorias da cozinha: nosso novo micro-ondas chegou, e agora, o coração da casa está completo – e lindo, diga-se de passagem. Com isso, nossa alimentação melhorou bastante – e estamos comendo refeições deliciosas quase todos os dias. Aproveitamos os dias de calor para lavar todas as capas dos sofás, que agora cheiram ao delicioso Persil com Sabão de Marseille e estão super novinhos, azuis, lindos. Ai de quem derrubar uma casquinha de chocolate de um dos bolinhos que adoramos, hehehe :)


Apesar da restrição, tenho degustado com toda minha alegria as poucas saídas que nos são permitidas: para ir ao Netto (o supermercado mais barato e mais longe) faço um caminho por uma ciclovia que beira o Rio Rhône formado nas montanhas Suíças. A tal ciclovia, é cheia de banquinhos para observar o rio, árvores bonitas, e passa por um forte – o único ponto turístico da cidade – que faz sentir que estou numa cidadezinha de séculos atrás. Quando a ciclovia acaba, somos obrigados a pegar uma rua de casas, onde dá para observar a vida cotidiana das pessoas: passamos na frente do açougue e na frente de uma casa cheia de decorativos – eu já chamo essa casa de “casa da grega” já que tem dizeres em grego na porta. Ao final dessa rua, estamos do lado de dentro da praça principal da cidade que tem duas fontes uma ao lado da outra. Mas, eu gosto mesmo é do arco de árvores que se abrem quando chegamos ali, fazendo um túnel lindo.

Nessas incursões também tem o Tabac. O Tabac é uma instutição francesa. Tão importante que é um dos poucos estabelecimentos que seguem abertos nestes tempos difíceis. Bem, aberto nos horários que convém ao proprietário, que na semana passada decidiu que vai fechar as 12h00 para o almoço e reabrir apenas as 16h00. De qualquer modo, o Tabac de St. Louis é muito divertido. É uma grande banca de jornais, mas vende brinquedos, delícias, revistas, inúmeras palavras cruzadas, e outras tetéias das mais diversas. O dono é um sen


hor bem simpático, e que gosta de uma prosa. Toda vez que vou lá torço para não ter mais ninguém, assim eu pergunto algo, ele responde, me explica uma coisa ou outra – assim treino o francês, tentamos fazer funcionar o contactless do cartão do banco - quando por fim ele me dá uma nova cópia da Attestation de Déplacement que devemos carregar conosco. Na volta, pedalo bem devagarzinho para ir curtindo o fim do meu passeio. Observo os pássaros, os carros que passam, as pessoas que levam seus cães para passear, os veleiros parados ao fundo. Ah, Port Saint Louis du Rhône, seu lugar no meu coração já foi reservado. Obrigada por nos tratar tão bem. E assim, pertencendo ao local, desejo que essa fase passe, e que possamos zarpar para novos portos, levando as lembranças mais deliciosas dessa cidade que eu jamais conheceria tão bem em outras situações. Bonne Journée!


Falando muita bobagem, esfregando com água e sabão!


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