• Carol Lara

De Stintino a Alghero, com direito a Grotte di Neptuno

Depois de aguardarmos uma condição um pouco melhor em Stintino, rumamos para a região de Capo Caccia, onde queríamos ver a Grotta di Nettuno, uma caverna enorme com estalactites por todos os lados – impressionante. Nessa região está uma reserva, ou parque, e as restrições para ancorar são inúmeras. Tantas, que na primeira ancoragem (que aparentemente é permitida) fomos abordadas por um fiscal do parque que disse que a gente não poderia ficar alí – e queria nos levar para um local com poitas, pagas. A gente achou tudo muito esquisito, afinal não tinha aviso da marinha, não tinha aviso no Navily, mas achamos por bem sair dali antes que a guarda costeira aparecesse, e encontramos uma ancoragem com fundo de areia (esta era a principal questão, é proibido ancorar na grama) mas bem mais longe da entrada da gruta. Depois de uma noite bem tranquila, acordamos e fomos em dois botes para a porta da gruta. Uma travessia de quase 2 milhas de dinghy – mas por lugares espetaculares. Essa parte da Sardenha lembra muito a minha parte preferida da Córsega, com paredões de pedra branca, rochas altas, e claro, cavernas. Quando chegamos na entrada da caverna, percebemos que o trabalho de ir de dinghy não ia ser muito fácil: a entrada é apertadinha que só, e os barcos de passeio basicamente tampam a entrada da gruta. Além disso, o acesso de bote é um pouco complicado: você tem que pular numa parte bem molhada e depois subir uma escada esculpida. Bom, decidimos nos dividir, e enquanto dois visitavam a gruta, dois ficavam tomando conta dos dinghies do lado de fora. O dia estava lindo, e como falei, a paisagem é maravilhosa – assim, tanto o passeio dentro quanto fora foi espetacular. A caverna é muito, mas muito grande, e muito linda – honestamente, nunca vi uma tão grande, ou se vi, não me lembro. Os visitantes são permitidos em apenas 500m da caverna – fico imaginando como não é o demais. Os tickets são caros, 14 euros por pessoa, mas valem muito a pena. Recomendo fortemente para quem vier para a Sardenha. Fizemos um delicioso jantar no Eagle, com churrasco, o restinho da nossa cerveja e vinho, e um cata-cata do que tínhamos ainda na geladeira. A sensação de tudo acabando estava me panicando, rs, principalmente porque estava quase sem coca-cola zero (ou a genérica, que tomo por aqui e acho ótima) e quem me conhece sabe, coca-zero, cerveja e ovo não podem faltar na geladeira.

Dito isso, era hora de ir para Alghero, a maior cidade da região. Em Alghero existe um porto público, onde você pode passar 5 dias atracado, basta pedir autorização para a Guardia Costiera e pronto, cidade aos seus pés, custo zero. Depois de dias de navegação a contra-vento esse presente eu queria para mim. Pesquisei direitinho como fazer e fomos lá! Chegamos com quase nada de vento, e com isso foi muito fácil manobrar o barco e atracar no porto. E ah, que porto! No melhor lugar da cidade, com vista das muralhas e das igrejas, um sonho. Para mim, a cidade mais legal da Sardenha até agora! Aproveitamos para comer uma pizza e fazer um giro pela cidadinha a noite, que delícia. No primeiro dia acordei cedo, e enquanto o Fernando descansava fui conhecer a padaria local. Meu italiano está melhorando, mas ainda não está como eu gostaria – e assim, acabei saindo com um pão fatiado ao invés de inteiro – rs – deitando no italiano ;) O passeio a pé pela cidade me fez muito bem – morar no barco tem inúmeras vantagens, mas taurina que sou, gosto de terra e de pisar nela. Mais tarde, fomos nos apresentar a Capitania, e deu tudo super certo. Fiquei feliz com isso. Depois de bastante preguiça, fizemos um supermercado para garantir a cerveja da promoção e outras delícias, e demos mais uma passeada pela cidade.

No dia seguinte, fomos de bicicleta até uma atração da cidade que é um jardim de borboletas. Em quase 1h de bicicleta, passando pela área mais rural da cidade, fomos aproveitando a paisagem de enormes plantações de azeitona, com oliveiras incríveis, e, também, muitas figueiras, algumas das quais se pronunciavam além dos muros ou grades das propriedades. Não preciso nem dizer que fizemos a festa né? Comemos figos no caminho, direto do pé, docinhos que só. Que delícia.

O jardim das borboletas era bem legal, mas achei caro pro passeio – 7 euros por pessoa. Fora dele, tinha uma piscina (que não fomos autorizados a utilizar por superlotação devido ao COVID) e um restaurante onde almoçamos, adivinha, pizza!

Depois disso, fomos de bicicleta até o começo de uma trilha que leva até algumas ruínas da idade do Bronze. Espetacular! Na volta, catamos mais alguns figos e chegamos exaustos em casa, prontos para dormir.

No dia seguinte, sexta feira, decidimos que partiríamos no domingo – para pegar uma boa janela de vento para chegarmos novamente até a região de Santa Teresa Gallura, antes que o vento virasse para leste e tomássemos (de novo) vento na cara. Por isso, acordamos cedo e fomos na lavanderia, fizemos duas viagens a supermercados diferentes, abastecendo o barco de tudo que tínhamos direito. Foi um dia bem do cansativo, mas terminamos ele da forma ideal: passeando por toda a extensão da muralha da cidade, vendo os bares, restaurantes e principalmente a feirinha, onde comprei ímãs para a minha coleção, e um óculos de guerra pela bagatela de 5 euros. Eu perco muitos óculos e agora só me sobrou um que gosto de verdade – por isso, uso ele apenas aqui no barco. Precisava de um genérico para saracotear por aí antes que o prejuízo fosse maior haha!

Voltamos para o barco e descansamos para a partida – sabíamos que para vencer o vento teríamos dois dias inteiros velejando – e foi o que aconteceu: passamos domingo todo na água para ir de Alghero a Stintino – enquanto o Fê fazia a velejada, eu cozinhei um monte de coisas: uma deliciosa canja de galinha para tomarmos no dia seguinte enquanto viajávamos, salada de batatas com salsão, vinagrete, entre outros – tudo para chegarmos de noite e fazer um churrasco delicioso com os amigos do Eagle, aqui no Saba.

Partimos cedo de Stintino, e tivemos um problema com o nosso piloto automático, o que fez com que o Fê tivesse que vir no leme o tempo todo. Eu confesso que dei uma cochilada daquelas, o que mostra que estou me acostumando de fato com mares não tão fáceis. Ondas de 2 a 3 metros, e a princesa aqui dormindo gostoso. Vai vendo! Chegamos em Santa Teresa, sãos, salvos e exaustos, e ainda o Fê foi consertar o piloto! Acho que deu certo, dedos cruzados por aqui. Ainda não sabemos ao certo para onde vamos nos próximos dias, já que temos o tal vento de leste por enquanto, e alguma previsão de chuva. Por isso, assim como eu, vocês só vão ficar sabendo mais tarde onde fomos parar. Mas acho que tudo bem né? Velejar é assim, planos mudam e são refeitos, toda hora – e não tem problema nenhum nisso! Baita lição pra vida corporativa essa, no dia que eu voltar a trabalhar normalmente, prometo não me esquecer! Bons ventos e boa semana!

O Saba, na sua casa em Alghero, na Banchina Pubblica!

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