• Carol Lara

Costa Leste da Sardenha, Olbia e Travessia para Ponza

Depois de planejarmos os próximos dias, chegou a hora de botar a viagem em prática. A ideia era descer a costa leste da Sardenha, conhecendo o Golfo de Orosei. Os ventos dessa semana foram muito fracos – conseguimos velejar um pouco mas a verdade é que andamos bastante no motor. A nossa primeira parada foi em Cala Luna, uma praia enorme de areia branquinha, e com cavernas na areia enormes. Vale dizer que essa costa é surpreendente, diferente de tudo que vimos na Sardenha, com altos muros de pedra – uma coisa de louco. A praia era maravilhosa, e assim que chegamos fomos remando até ela para conhecer. No dia seguinte, fizemos um picnic café da manhã na caverna, antes de chegarem todos os botes turísticos, e assim, tivemos a caverna (e a praia) só para nós e para nossos amigos do Eagle. A ancoragem era muito movimentada, e o barco adernava muito com a passagem de tantos barcos de passeio. Por isso, fomos para a Cala Goloritzè, um pouco mais abaixo, mas outro sonho de ancoragem. Ali, uma pequena praia, e uma escadaria, deixava a gente subir alto para ver o barco lá embaixo. Essas pedras formam cavernas gostosas de mergulhar, com passagens submersas, e a água turquesa que estávamos acostumados. Por isso, saímos de dinghy e demos uma explorada ao redor, e paramos também na praia dos Enamorados, uma praia lindíssima, onde demos um belo mergulho – mas a água, já meio fria.

Sabíamos que um mau tempo estava a caminho. Por isso, preparamos nosso retorno, e mais uma vez mudamos de plano, desistindo de Arbatax, que era pouco abrigada. Também vimos que o mau tempo ia durar uma semana inteira, o que cortou um pedaço da nossa viagem possível. Assim, a ideia era ficarmos em Brandinchi, de onde partimos inicialmente para essa pernarda, um local abrigado, amplo, com possibilidade de jogar duas âncoras. Mas, com tantos dias de tempestade, acabamos optando por ir para Olbia, outra vez. Os meninos do Eagle tentaram uma outra alternativa, mas acabaram não conseguindo e no dia seguinte também chegaram em Olbia. Lá, estavam outros três barcos de brasileiros, o Shogun, da Thaís e do Beto do @sailingaw, o Amazonia, da Bela e do Sandro do @viverporaremar, e o Altair, da Ariane e do Davi. Assim, os dias ganharam ar de festa e tínhamos vizinhos para comentar o clima, o supermercado, a pizzaria e fazer algumas coisas juntos. Foi bom falar português e farrear no nosso estilo. Essa turminha boa deve invernar em Roma, então já fomos nos familiarizando com os vizinhos. Tanto, que até cuidamos por um tempinho do Domênico, filho da Thais, o bebê mais simpático do mundo – tão simpático que ganhou até o coração do Fernando, que não é um cara que se dá muito bem com bebês. Foi ótimo estar em Olbia. A guarda costeira não passou – então nossa estada saiu de graça, e passeamos bastante pela nossa cidade sarda. Teve festinha de aniversário para a Ariane, teve pizza no Amazônia, e teve rodízio de comida japonesa com nossos amigos Sandra e Per, os suecos. Nossa, acho que foi a primeira vez que realmente eu comi o quanto gastei num restaurante rodízio. Estava ótimo. Finda a tempestade, resolvemos que faríamos a nossa travessia para Ponza. Por isso, fomos nos abastecer no SuperPan pela última vez, e tínhamos lixo reciclável desde Orosei com a gente. Empurramos com a barriga tudo que deu, mas, chegou a hora – e enchemos um carrinho de supermercado para irmos pedir ajuda e jogar os materiais nas lixeiras seletivas. Acho que os deuses da reciclagem ficaram com dó de nós, porque assim que chegamos o serviço de limpeza das lixeiras estava lá, e conseguimos nos livrar de tudo em 5 minutos. Score!

No dia seguinte os Brazucas saíram cedo, e os Suecos decidiram que vão voltar para Port Saint Louis para invernar o barco deles. Por isso, tivemos um dia triste: despedir das pessoas – tanto dos brazucas, quanto da Sandra e do Per – que foram nossos companheiros preciosos nesse ano. Para a despedida, fomos na praça comer um Kebab, e tomamos um sorvete delicioso no caminho de volta. Dissemos nossos tchaus, trocamos as fotos, e fomos preparar o barco para a saída. No caminho, os deuses do porto mandaram o clássico vento forte para atrapalhar nossa parada no posto de gasolina. Foi um upalelê para entrar e para sair, mas tudo deu certo. E ainda tivemos a oportunidade de pegar um funil emprestado do Eagle, que também parou para abastecer. Última despedida feita, rumamos para Tavolara, de onde partimos as 5 da manhã para começar a travessia para Ponza.

Tínhamos previsão de bons ventos, mas eles não vieram, nem bons, nem ruins. Fizemos a viagem com motor ligado – mas foi bom, pois pudemos assistir filmes no computador enquanto o outro estava descansando do turno. A travessia só se complicou pois o nosso piloto automático, que já dava sinais de problema, quebrou de vez. Então fizemos toda a viagem na mão, o que deixou tudo mais cansativo, mas tentamos rebater isso com comidinhas deliciosas, o já tradicional gnocchi de travessia, e como está frio, uma canja de galinha completa, com diversos vegetais. Ainda bem que ganhamos uma lua cheia espetacular, que iluminava tudo em volta e dava uma sensação de conforto.

A primeira terra à vista aconteceu no meu turno, quando consegui ver as luzes do Farol de Ponza. Manter o rumo com visual é sempre mais fácil, e assim, fiquei mais feliz. Chegamos em Ponza cedo, 8h30 da manhã, e fizemos uma ancoragem tranquila – dormimos o dia todo de canseira. Os ventos do outono já estão complicados, então tivemos que mudar de ancoragem para nos abrigar deles. Ficamos na ancoragem, observando o vai e vem de barcos, descansando e pensando – o que faremos? No momento, estamos focados em conhecer Pompéia e Napoli antes de irmos embora para Roma, se os ventos permitirem. Mas, dá-lhe vira vira do vento, e resolvemos novamente mudar de ancoragem. Pegamos mar grosso, vento de todo jeito, e nosso inversor quebrou – tarefa prá hoje tentar consertar. Chegamos na ancoragem na cidade, que em teoria não pode ser ocupada depois das 10h da manhã e antes das 5h da tarde, mas com a ventania acho que a Guarda Costeira fez vista grossa, afinal, todos os barcos da ilha estão ancorados aqui. E hoje, seguimos nesse esconde-esconde de vento até conseguirmos atravessar para Pompeia, que acreditamos que vai ser na 3ª feira. Estamos cansados, o friozinho do outono desanima um pouco, mas vai dar tudo certo. Falando em tudo certo, conseguimos alterar nossa passagem para sair de Roma direto, e assim, aumentaram muito nossas chances de chegarmos no Brasil para curtirmos o aniversário do Fê, natal, ano novo e quem sabe um carnaval com os nossos queridos. Por isso, já vão esquentando as churrasqueiras, rufando os tambores e arrumando uns convites que queremos ver todos vocês, estamos doidos de saudades! Bons ventos!




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