• Carol Lara

Corsega - Sardenha, e as maravilhas do caminho!

Conforme planejado, seguimos rumo a Portigliolo, uma praia perto de Propriano enorme - e diga-se de passagem, de areia, o que nos deixou super felizes - e com os ventos fracos, nos animamos para fazer um churrasco de espetinhos (brochettes) que estava delicioso. A empolgação com o charter e o finzinho da Córsega estava nos deixando cada vez mais animados. Depois de uma bela curtida nesse set lindo de morrer, nos preparamos para irmos para Bonifácio - que deveria ser nosso último destino francês antes de cruzarmos para a Sardenha.

Bonifácio é a cidade mais antiga da Córsega, e está pendurada em cima de uma falésia, nos rochedos brancos que tinham, até então, ficado lá para o norte da Córsega e sendo lentamente substituídos por montanhas mais baixas e com mais vegetação. Quando se vê do oceano, fica até difícil de entender como chegar por lá. Mas, conforme vamos andando e progredindo, uma abertura surge, e você entra em um pedaço onde tem uma ancoragem pequena (deve-se levar os cabos para a costa e amarrar o barco em terra) e depois, uma marina enorme, lotada de super yachts. Acabamos parando em uma ancoragem mais afastada - Bonifácio até agora foi nossa parada mais cheia - e indo visitar a cidade de bote. Ao chegarmos, a surpresa ia aumentando - e a canseira também. Escolhemos o dia mais quente do ano para o passeio - e uma cidade encravada no alto de uma falésia é um desafio até para os fortes - muita subida, muita escada - e com o sol de rachar a cabeça fica ainda mais difícil. Mas, tudo se recompensa quando você começa a ver, lá de cima, como a cidade foi feita. Bem charmosa e turística, a cidade é muito completinha, tem de tudo, e para nos despedirmos da França comemos um formule num restaurante na beira da rua - o meu prato estava sensacional, e o do Fê nem tanto - mas valeu bastante o investimento. Voltamos para o barco exaustos, mas antes paramos em uma outra ancoragem (não apropriada para veleiros) onde se forma uma piscina natural praticamente - e com uma água calminha e linda, você descansa de todo o passeio, divino.

No dia seguinte partimos rumo à Italia. Preciso confessar que minhas origens italianas falam muito alto quando estou chegando por perto. E celebramos muito a aproximação da Sardenha. Nossa primeira parada italiana foi numa cidade muito graciosa, Cannigione. Paramos bem pertinho do porto, acompanhando os demais barcos, e fomos de bote passear pela cidade. Pequenininha mas super bem arrumada, começamos a ver características mais italianas nas construções e claro, no idioma que lembra o paulistano falando. Depois de uma passada nos supermercados, voltamos para o barco e descansamos, afinal, a velejada foi de quase 5 horas - e já subimos o motor e deixamos o bote no jeito para as mais 20 e tantas milhas que nos esperavam.

No dia seguinte, depois de acordarmos cedo, partimos para Olbia. Olbia é uma cidade bem grande da Sardenha, com 60 mil habitantes (hehe) e completinha: tem de tudo. Já sabíamos que o Mistral estava se aproximando, trazendo ventos bem fortes, e portanto, Olbia era uma cidade protegida e equipada para nos receber nesse tipo de situação. Como chegamos cedo, conseguimos uma vaga no porto, bem na frente da Roda Gigante da cidade, e literalmente no centro. Com isso, ganhamos a sensação de morar em terra: é um pulinho simples e pronto: estamos na calçada. Cair em tentação por aqui é fácil: o cheiro de pizza, de formaggio e de salumi impera. E assim, nos demos de presente jantar na pizzaria, barata e deliciosa, e curtir nossa primeira refeição italiana com louvor.

Passamos domingo olhando tudo, nos ambientando - apesar de que domingos por aqui são um pouco devagar - quase nada abre - mas a lavanderia abre - e resolvemos botar nossas roupas em dia. Fizemos hora na praça tomando uma cerveja, a já querida Ichnusa que é Sarda, mas foi comprada pela Heineken - e curtimos o final da tarde vendo o povo passar, ou melhor, sendo observados pelo porto: as pessoas passam aqui na beira do barco, tiram fotos, e ficam se questionando sobre o que podemos estar fazendo - curiosidade mesmo. O Fê fica incomodado com os transeuntes, mas honestamente, eu não ligo - acho divertido.

Na 2a feira, passamos na loja náutica aqui na frente, pois não estávamos contentes com as nossas amarras e sabíamos que o mistral estava aí. Assim, entramos na loja que é tocada pelo dono, e com uma oferta maravilhosa conseguimos nosso lançante novo! Depois, pegamos as bicicletas para irmos para o centro comercial Olbia, onde tem lojas maiores e um hipermercado. Ah, as ciclovias aqui não são boas, e você tem que se enfiar na estrada para chegar nos locais. E claro, a minha bicicleta furou o pneu pela 3a vez. Chegamos a conclusão que já era hora de trocar o pneu inteiro, e assim, fomos na Decathlon que era ao lado, tentar comprar um pneu - que não tinha... Já que teríamos mesmo que voltar de taxi, aproveitamos para fazer a compra de todas as bebidas para o charter no supermercado que era para ser Auchan e mudou para Conad, estranhando muito os produtos, marcas, variedades e afins. Ainda estamos nos adaptando! Mas, voltamos com tudo para o barco, e com a missão de consertar a bicicleta o quanto antes - já que as próximas cidades são menores que Olbia. Assim sendo, na 3a, dia do vendaval, nos preparamos para fazer tudo antes do vento: e não é que conseguimos? Encontrei uma loja fantástica de bicicletas próxima ao parque, e no caminho passamos na feira - também achei mais sem graça que a francesa - principalmente em relação aos produtos - já que o barulho é muito mais autêntico. Compramos um pedaço de queijo e seguimos para a bicicletaria. Os preços na Italia são muito melhores que na França, e o da bicicletaria não era diferente: trocamos o pneu e saímos satisfeitíssimos com o bom serviço. Ah, o serviço italiano. Dá até vontade de usar mais. Especialmente depois de 6 meses na França, ver alguém com vontade de te atender é sensacional. Com isso em vista, corremos para a vodafone resolver nosso chip de internet - e fechamos um plano maravilhoso, as atendentes, mesmo 15 minutos antes de fechar para o almoço, queriam ajudar a gente a comprar a coisa certa, e a alterar o meu plano pessoal para um menor e mais barato! Agora podemos nos comunicar a vontade com os familiares e amigos, assistir Netflix e aquelas coisas todas que a gente faz usando internet. Estamos nos sentindo livres! Hoje vamos resolver alguns outros assuntos aqui em Olbia, e faremos o roteiro do day charter para verificar tudo. E lá por 6a estaremos de volta para nos prepararmos para o grande dia, 2a feira dia 10, quando teremos nossas hóspedes a bordo! Torçam por nós, e bons ventos!



Carol andando e Bonifácio no fundo! Que beleza!

6 visualizações
  • Instagram
  • Facebook

Sailing Saba - Charters, Turismo, Férias a bordo de um veleiro na Europa - Croácia e Sardenha