• Carol Lara

Charter, Olbia, Tavolara e Molara!

A semana estava super agitada – e a gente também. A eminência do charter e a vontade de que tudo saísse impecável estava no ar, e assim, fomos até a peixaria principal de Olbia reservar o atum que serviríamos no charter. Apesar do meu italiano estar se desenvolvendo, ainda sinto muita dificuldade de explicar o que eu quero exatamente – e quando vejo já botei um espanhol/francês/português no meio. Assim que saímos da peixaria, passamos na marina para fazer um reconhecimento de área: ver como eram as vagas, os serviços – e pegar uma caixa gigante da Ikea que tínhamos encomendado – com algumas coisas para o charter e outras prá mim! Assim, voltamos para o barco, mas decidimos não sair para Tavolara e Molara pois o vento estava forte demais, e preferimos ficar pela cidade mesmo.

No dia seguinte, apesar do vento que continuou forte, e das ondas que estavam chatíssimas, fomos fazer a visita técnica: era importante saber onde a gente ia querer ancorar, o quão cheia estaria a ancoragem, verificar o que tem para fazer nas praias, e claro, curtir um pouco. Passamos uma noite bem tranquila em Tavolara, curtimos a praia que é linda, com um morro super peculiar ao fundo, fizemos a trilhinha e vimos os restaurantes e afins que tem por ali.

No dia seguinte, acordamos cedo e fomos para a outra ancoragem, Molara, que é conhecida como Piscinas de Molara, de tão clarinha que a água é. Lindo demais.

Voltamos para Olbia com tempo de fazer algumas coisas que queríamos, e comer mais uma das pizzas gigantescas da “Retro Pizza”, que já virou a nossa pizzaria do coração.

Como paramos no porto (eu amei essa história de parar no porto, o Fê tem mixed feelings) e o porto é grátis mas não é, recebemos a visita da Capitania dos Portos para cobrar o imposto de parar ali. Eu acho barato, são 16 euros por 48h. Para pagar, como tudo que é imposto na Itália, você vai até o tabacchi mais próximo e compra uma “marca di bollo” que é um selo de autenticação (parece coisa de cartório) e cola no papel. Problema resolvido, começamos a arrumar cabines e limpar o barco por dentro – já que a parte de fora ia ser feita toda na marina. Depois de um dia exaustivo, de muita arrumação e limpeza, acordamos cedo e fomos ao supermercado comprar os frescos para o charter (frutas, verduras, frios e afins) e passamos na peixaria para buscar o atum. O atum era lindo, espetacular. Mas claramente meu italiano e a imagem que mostrei pro peixeiro não foram suficientes para ele fazer o corte que eu queria, e me entregou o peixe todo fatiado em bistecas (bifes) de 2cm de altura. Aceitei e decidi que ia me virar assim mesmo – afinal, era tudo atum e o brilho e a cor eram LINDOS. Chegamos na marina de Olbia, que é chique, mas não tem nada demais – as de Ubatuba deixam essa no chinelo – principalmente porque tem piscina – que é uma coisa que tou morrendo de saudades de usar! E a chiqueza toda foi posta de lado, porque ligamos o barco no cais, e o Fernando passou o dia todo lavando o barco por fora enquanto eu cozinhava dentro, e depois, limpava toda a sala e a cozinha para estar impecável para as hóspedes no dia seguinte.

O dia do charter foi um balé. Lindo de ver. Deu tudo certo: elas chegaram na marina, o Fernando fez uma velejada muito bonita, com alguns bordos sem incomodar as visitas, as bebidas estavam todas geladíssimas, servimos petiscos gostosos que não estavam planejados durante o dia, como forma de surpresa, e como era aniversário da cliente, tivemos um bolo e vela para cantar parabéns. Eu passei o dia todo na cozinha e raras vezes ia lá fora, só quando precisava mesmo para ajudar numa ancoragem. Vale dizer, prá quem pensa que a vida de charter é fácil, não é: O Fê com a tensão de fazer tudo rolar direitinho no deck, e eu no below deck cozinhando, lavando e empratando 6 pratos idênticos, gostosos, no mesmo ponto – tenso – mas fizemos com prazer, e estivemos ensaiando bastante: então, como disse, foi um balé. Devolver as meninas sãs, salvas e satisfeitas com o nosso trabalho foi muito recompensador – e a gente ficou feliz e cansado – fazendo o que toda tripulação faz depois de um charter: comendo e bebendo as coisas que sobraram (que diga-se de passagem não foram muitas – até repetir o jantar todas repetiram).

Não precisa nem dizer que acordamos exaustos e com muito lixo para jogar fora. O lixo aqui na Itália é um problema. Segundo o grupo dos Brazucas que moram no Med, eles fizeram uma lei e cobram uma taxa de acordo com a quantidade de lixo que cada um joga fora. Por isso, as lixeiras todas tem cadeado, ou você tem que passar a sua Tessera Sanitaria (que é tipo um CPF que te dá direito a saúde pública e afins) numa máquina de lixo. Assim, achamos que seria ok a gente jogar o nosso lixo na marina que a gente pagou na véspera 169,00 caríssimos euros para estacionar, já que fomos lá para buscar nossas bicicletas.

Bom, achamos errado: o funcionário da marina veio atrás da gente dizer que não podia jogar lixo lá – uma verdadeira perseguição. Azar o dele, porque quando voltou já tínhamos nos livrado do lixo. Mas acho que a Itália precisa dar um jeito dos inúmeros turistas de barco terem onde jogar lixo – evitando que as coisas terminem no mar – ou nos lugares errados – a gente separa o lixo aqui no barco e gostaríamos de continuar assim. De qualquer modo, no inverno, vou providenciar a minha Tessera Sanitária, e imagino que vá ficar mais fácil.

Uma vez descansados, voltamos para a cidade para lavar as roupas de cama do charter. Não sei se já contei, mas na cidade tem uma lavanderia ótima, chama Jeffersons. Ela é fofa, barata, máquinas ótimas, tem wifi grátis, e eu amo o cheirinho do sabão e do amaciante que eles usam lá. Passeamos pela cidade e adivinha, fomos na Retro Pizza de novo. Como estamos habituês do local, percebemos a troca do cardápio, e resolvemos experimentar uma pizza nova. Inclusive, pedimos uma que já amamos (Greca) e uma dessa nova, que não me lembro o nome pra sobrar para o café da manhã. Quando chegou a pizza nova, ela veio completamente errada. E na hora de trocar, ele não tinha o ingrediente. Acabamos comendo uma pizza só, que é gigante, e na hora de pagar, o dono não me deixou pagar. Nem pela pizza, nem pelas bebidas. Nossa, se a gente já era freguês, não tenham duvidas, vamos voltar mais vezes.

No dia seguinte, resolvemos planejar os próximos passos. A gente quer fazer todo o norte da Sardenha que deixamos para trás, antes de descermos. Sendo assim, as Maddalenas seriam nosso primeiro destino. Olhamos as previsões do tempo em todos os modelos, escolhemos as ancoragens e pagamos o passe de entrada no parque para 7 dias, que no nosso caso custa quase 60 euros. Fomos no supermercado nos abastecer, e dormimos cedo para sair cedo para as Maddalenas. Ah, aparentemente, nossos amigos Sandra e Per do Eagle devem nos encontrar por aqui – se os ventos e os rumos assim permitirem.

As Maddalenas estão lotadas. Completamente lotadas. Barcos por todos os lados, ancoragens cheias, uma loucura. Ainda mais que na 2ª feira tem Ferragosto, que é um feriado importantíssimo por aqui. Mas, vamos aproveitar com louvor cada um dos 7 dias de parque que temos, e depois voltaremos para Cannigione, nossa primeira entrada na Itália, onde abasteceremos e de onde seguiremos viagem para os destinos que virão, nos protegendo de ventos mais fortes que devem chegar, se a previsão se consolidar dessa forma. Bons ventos e boa semana!



a Chef do Saba, feliz da vida com o seu Atum com molho agridoce, no ponto perfeito <3


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