• Carol Lara

Charmes de Calvi, a cidade fortificada, e o mergulho no avião

Assim como o demais da Córsega, antes de ser Francesa, Calvi era Italiana, ou mais precisamente dizendo, Genovesa. Aqui, segundo os Corsos, nasceu Cristóvão Colombo. Dito isso, a cidade de Calvi é uma citadela charmosa, fortificada no alto do morro, e hoje é apenas uma cidade turística, que funciona como um dos primeiros portos para quem vem do sul da França. Fomos passear pelas ruelas da cidade, aproveitando as flores e a cidade bem cuidada, e vendo a vista magnífica lá de cima e tirando uma porção de fotos.

Quando retornamos para o nosso veleiro, percebemos um tráfego aéreo acima do normal – aeronaves barulhentas passavam sobre nossas cabeças – e quando fomos olhar, mais um show de presente: o exército Francês usa Calvi para fazer treinos com os paraquedistas – e fica o dia inteiro soltando soldados lá do alto. Nos distraímos muito com isso, principalmente no final do dia, quando eles escolhiam arremessar os soldados em plena água – que dó!

No dia seguinte fomos a cidade novamente, desta vez com a missão de recuperar os correios que com certeza tinham chegado. O que foi enviado pela Michelle de PSL, chegou – e era o mais complicado – continha dois O-rings para a membrana do nosso watermaker que já estavam voando por toda a Europa há semanas. Mas, a peça do nosso gerador continua vagando por aí. Aproveitamos para passar nas operadoras de mergulho e ver quanto custava para alugar os tanques, e fomos ao supermercado nos abastecer de

Na 5ª feira logo cedo fomos então buscar os tanques, e o dono da escola tinha alguns para vender. Ficamos muito empolgados com a possiblidade de finalmente termos nossos próprios cilindros, ou bouteilles, como eles chamam aqui. Arrumamos o dinghy com nosso equipamento, um botijão de gás (estamos no nosso último) e fomos fazer o mergulho.

O mergulho foi um dos mais memoráveis das nossas vidas: não porque tinha uma enormidade de vida, mas até pelo contrário – era um naufrágio de um avião B-17, que fez um pouso forçado na citadela de Calvi em plena 2ª guerra mundial. O avião está intacto e descansa a 27 metros de profundidade, onde peixinhos fizeram seu lar. No final do mergulho ainda ganhamos uma arraia gigante, para abrilhantar ainda mais. Voltamos de Dinghy para a cidade e além de devolver os tanques de mergulho fiz o refil do nosso botijão e comprei uma baguette para a manhã seguinte enquanto o Fê adoçava nossos equipamentos.

Combinamos com o Franck, dono da loja de mergulho, de irmos no dia seguinte buscar nossos cilindros. E, entre nós, combinamos de almoçar em um restaurante (que luxo!) já que comemoraríamos 3 anos de namoro e 6 meses de casado.

Assim, acordamos, tomamos café, e fomos em busca dos tanques. Como o Franck tinha saído com um grupo, fomos primeiro ao La Poste (novamente) tentar achar o pacote perdido. A DHL diz que entregou, mas a mulher do correio procurou e não achou. Saí de lá com um papelzinho escrito “pas de colis on nom de Mme. Carolina Lara” – ou seja, nada de entrega em meu nome, e nos preparamos para escrever tanto para loja quanto para a DHL para resolver o problema.

Fomos almoçar – o restaurante era super bem avaliado no Trip Advisor, e comemos o menu: estava tudo muito gostoso, sentamos numa varanda onde dava para ver a vida passar, e tomamos uma garrafa de vinho celebrando a nossa união – da qual somos tão orgulhosos.

Na volta, passamos na escola, e os tanques estavam lá. Fomos então comprar o lastro numa loja próxima, e na volta, o Franck percebeu que os tanques que ele nos venderia não serviriam para o nosso tipo de regulador/encaixe. Que balde de água fria. Pelo menos, não cobrou o aluguel dos tanques do outro dia, e o mergulho do avião saiu de graça. Tivemos que ir devolver os lastros (afinal eram caríssimos e sem cilindro, para que o lastro certo?) e o cara da loja ficou putíssimo. Primeiro disse que não podia (comportamento Francês 1) depois que não dava pra fazer na máquina (comportamento Francês 2). Eu insisti, e ele tentou cheio de má vontade, até dizer que não funcionava (comportamento Francês 3). Então, disse em bom e velho francês (comportamento Francês 4): É MEU DIREITO. E ele putarasso me devolveu, em dinheiro, os valiosos euros que tínhamos pagado há 5 minutos para ele nos lastros.

Voltamos para o nosso Saba, e visto que nossa história e temporada em Calvi estava no fim, resolvemos rumar para Girolata. Fizemos uma navegação no motor, completamente sem vento, e a paisagem mudou muito.

Ao invés dos altos muros de pedra branca, agora os muros são de pedra avermelhada – e o contraste com a água é espetacular. Essa região é dentro de uma reserva, então muitas das ancoragens só são permitidas durante o dia. Escolhemos uma calma e protegida, e ficamos aqui para descansar.

Vale dizer que desde que chegamos na Córsega começamos a ver as super lanchas. E sempre que achamos que aquela é a mais super, chega uma outra o triplo do tamanho. Com barcos o céu é mesmo o limite – como o nosso fica pequeno!

Amanhecemos em Girolata e fomos para a praia – que parecia ser de areia marrom – mas claramente era de pedrinhas (a decepção cotidiana haha). De qualquer forma aproveitamos as águas quentinhas e o banho de mar, e voltamos para o barco para almoçar.

Depois de um cochilo delicioso pós-refeição (sesta que chama né?) acordamos para resolver as coisas: O Fê reinstalou o impeler antigo no gerador, e conseguimos colocar os o-rings no watermaker. Lá pelas 9 da noite produzimos nossos primeiros dois baldes de água! Ah que sensação maravilhosa. Independência, finalmente! Produzimos em 1h mais do que gastamos em 1 dia, então agora não precisamos de marinas para absolutamente nada! Que assim seja! Comemoramos a conquista do Watermaker com um lanche dominical que tinha bruschettas de tomate e manjericão, burrata com azeite e pão, outros queijos e uma salada gostosa, acompanhada de duas cervejas celebrativas. E hoje, partiremos rumo ao sul, aproveitando que os ventos estão muito fracos (inexistentes) para visitar um destino que dizem ser espetacular, mas que só se pode visitar com tempo assim, chamado Porto.

Bons ventos e ótima semana para todos!

Olha o avião!

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