• Carol Lara

Bandeira, Lua, Castelo - tem tudo em Hyères!

Estávamos tranquilos na Plage de La Badine, pesquisando algumas coisas e algumas melhorias que queremos fazer no barco, quando escutamos uma batida no casco e um “bonjour”. Até achamos que podia ser um de nossos amigos, mas quando saímos para olhar era a Duane, provavelmente confusa com a nossa bandeira irlandesa, já que aqui só tem mesmo bandeiras francesas e de vez em quando, aparece uma ou outra bandeira britânica ou italiana. Os guardas foram bastante educados, e colocamos nossos passaportes e os documentos do barco numa cesta de pegar peixes recém pescados, e esperamos eles fazerem todo o trâmite. Avisamos nossos amigos suecos da presença deles, mas, aparentemente, era já perto da hora do almoço e eles agradeceram e encerraram o trabalho as 11h40 mesmo. Vive la France! No dia seguinte, passado o vento, nos mudamos novamente para Hyères. Duas de nossas correspondências chegaram nos correios - eles tem um serviço aqui chamado “Poste Restante” onde você pode usar a própria agência do La Poste como endereço para buscar as coisas. Com isso, botamos nossas bicicletas no bote (confesso que foi uma operação) e nos dirigimos para o porto de Hyères onde desembarcamos as ditacujas. Ahhh, estava já com saudades de andar de bicicleta. Fomos então junto com o Per e a Sandra dar uma passada na Accastilage Diffusion, para tentarmos comprar algumas peças para nossas bombas sanitárias, mas, claramente não achamos. Rumamos aos correios e finalmente pegamos uma peça do gerador e a correspondência do meu pai, que estava rodando pela França há meses. A nossa bandeira Brasileira finalmente foi hasteada e agora flameja linda, junto com a da França, no bordo dedicado as bandeiras de cortesia.

Além disso, depois de diversos diagnósticos, constatamos que precisaremos trocar nosso banco de baterias – e assim fomos andar nas lojas do porto procurando. A loja que tinha a bateria pelo melhor preço pediu que esperássemos uma semana para entregar, e assim, ficou dito que na semana que vem iríamos para a Córsega. Passeamos um pouco mais pelas lojas e depois voltamos felizes e cansados para comermos cheesburgers no barco.

No dia seguinte, decidimos ir para o centro de Hyères resolver alguns outros assuntos, dentre eles o celular do Fernando que estava pifado e quase deixando minha sogra louca de saudades. Hyères é uma cidadezinha meio medieval, e tem um percurso de artes super interessante para você fazer, inclusive caminhando até as ruínas de um castelo que proporcionam a vista mais incrível de onde estamos – dá até pra concordar com o formato que vemos nas cartas náuticas e de previsão do tempo. Confesso que bufei um pouco de tantas rampas, escadas e afins – e lembrei da minha madrinha que vive dizendo que passeio com “escalera e castillo” ela não quer mais. Mas, acho que no final sempre vale muito a pena. Na volta do passeio, ouvimos a triste notícia de que o telefone do Fernando tinha mesmo falecido. Hora de comprar um novo. Fizemos uma pesquisa nas lojas locais, mas acabamos indo para uma espécie de shopping onde tinha também um Casino. Além do celular, saímos com as bicicletas cheias de delícias e duas caixinhas de cerveja amarradas no bagageiro.

Chegando em casa, fiz um kibe cru sem trigo – porque estamos procurando faz um tempão e não achamos – a solução foi improvisar com couscuz marroquino – e não é que ficou bom?

A peça enviada pelos belgas para o gerador foi a errada: eles assumiram o erro e vão mandar outra, mas dessa vez, pedimos que vá direto para a Corsega, já que esperamos o suficiente por aqui. Já sei que vai dar trabalho, pois ao invés de escreverem meu nome, escreveram “La Poste Bureau” – parece que todo mundo tá fazendo o possível para não mandar nossas peças corretas ou corretamente. Benza Deus! Além disso, o trapalhão do fornecedor do watermaker mandou nossos o-rings para o endereço antigo em PSL, então tive que pedir um favor para a maravilhosa Michelle Auberg-Romero que vai nos enviar também para a Córsega. No domingo, aproveitamos para ir na feira. Ah, como são boas as feiras francesas. E com o calor que estava, o olfato (ou teste para Covid) estava aguçado. Tudo cheira muito bem – os morangos (que não resistimos), as azeitonas, os salames, e por fim, o nosso querido poulet roti, que fez a alegria do almoço dominical. No final do dia, ainda pegamos uma praia gostosa e começamos a combinar as coisas da travessia com nossos amigos. A lua cheia apareceu finalmente para iluminar as nossas noites! E que lua meus amigos, pena que fotografar não é o meu talento - especialmente com o barco em movimento. Mas juro, uma das mais lindas que já vi. Aproveitamos o vento que se anunciava para ontem e finalmente fizemos contas – ficamos satisfeitos de ver que estamos gastando exatamente o que planejamos e em alguns aspectos – até menos – o que nos dá energia pra continuar! E, agora vamos resolver a questão das baterias, já que sem elas não faremos a tão esperada travessia. A outra coisa que aguardamos ansiosamente é uma janela de tempo ideal para atravessarmos – e assim que ela aparecer, Córsega, aí vamos nós! Bons ventos e boa semana para todos!

Depois da subida árdua, a recompensa! @Hyères :)

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